Sincero Pedido de Desculpas

Lembro quando eu estava apenas engatinhando em programação, quando eu trabalhava no laboratório de pesquisas, a famosa Sala 1734. Lá eu dedicava parte da minha vida acadêmica aos estudos de algoritmos genéticos, vida artificial, resolução de problemas de quimiometria, além das normais atividades ligadas à jogatina, bebida e festas. Somente depois de três anos estudando computação foi que finalmente pude dedicar de corpo e alma à esta profissão.

Apesar da minha inexperiência, produzi excelente resultados, otimizando algoritmos já existentes para que aproveitassem melhor os recursos disponíveis, alem de ajudar no desenvolvimento de versões mais rápidas destes (o processo de otimização de um algoritmo genético levava horas, e tão cedo terminava a máquina ficava osciosa. Eu ajudei a reduzir o tempo consumido e a criar filas de testes de modo a permitir melhor aproveitamento das máquinas). Dediquei-me de corpo e alma, e por vezes fazia da minha univesidade minha segunda casa defacto.

Foi então que entrei em discussão com um de meus professores, na cadeira de Engenharia de Software. Me fervia a mente ter de me sujeitar a preencher os sem números de diagramas e organizar as dezenas de tabelas de documentação que meu professor ensinava como ferramentas básicas de um bom e estruturado projeto. Lembrava dos meus códigos, bem estruturados em arquivos ordenados, encapsulados de modo a permitir que um pudesse ser substituido por outro conforme a necessidade, e como para nenhum deles havia um diagrama sequer, uma tabela de documentação (apesar de que eles possuiam alguma documentação… eu SEMPRE documentei meus codigos), uma página de referencia citando o que já havia sido feito e o que poderia ser feito. Meu raciocinio era de que “O trabalho de pesquisa as vezes é algo momentaneo. Eu tenho uma idéia e preciso verificar se ela está correta ou não, e não posso perder tempo documentando isso quando poderia estar programando defacto”.

Alguns semestres mais tarde me vi frente a um problema onde eu sabia a resposta, porem não possuia as habilidades de programação necessárias para realizá-lo. Um de meus colegas possuia as habilidades para realizá-lo, mas não sabia como responder. Juntou-se a fome com a vontade de comer. Tentei explicar para ele como fazer, mas somente depois que rabisquei em uma folha de papel um diagrama com todos os passos que o sistema deveria realizar que este foi programado corretamente. Um excelente sucesso. Mais tarde, com o papel ainda em mãos, percebi o quão errado eu estivera na discussão com meu professor.

Alguns anos mais tarde, quando iniciei minha recente carreira como programador web, me vi novamente frente a diversos problemas onde a falta de documentação dificultava a capacidade de dar manutenção à códigos antigos. E me vi eu sendo o defensor de padronização, reutilização e documentação de código, enfrentando resistência daqueles que acreditam que “perder tempo documentando” iria somente atrasar suas já atrasadas tarefas de programação.

O mundo dá voltas. Nunca substime qualquer ensinamento que lhe for dado.

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